
Uma das primeiras coisas que as pessoas geralmente ficam sabendo a meu respeito, assim que me conhecem, é do total e completo pânico que eu tenho de baratas. Pânico este que é o único responsavel por me tirar da condição de "sou mais macho que muito homem" e me fazer ter um ataque histérico de mulherzinha, com gritos, choro, pedidos de socorro e subidas em cadeiras com recusa a descer até que o asqueiroso animal seja removido do recinto, necessariamente morto.
O problema é que, justamente por este meu jeito mulher macho sem medo de nada de ser, as pessoas nunca acreditam nesta fobia, e injustamente atribuem uma grande porcentagem de exagero às histórias que eu conto e que são absolutamente genuínas. E então, quando eventualmente acabam presenciando uma crise inesperada, reagem com muita surpresa e choque.
Há uns dias atrás, eu e a Sheron estávamos trabalhando até mais tarde para pagar umas horas. Não era tão tarde, mas já havia anoitecido. O nosso colega que costuma ser o último a sair e portanto é o responsável por fechar a farmácia, estava no vestiário tomando seu costumeiro banho de meia-hora. Não sei quem ele pensa encontrar no caminho até em casa. A Juliana Paes? Se bem que no caso dele não faria diferença nenhuma estar limpo ou sujo numa situação dessas. Ela fugiria da mesma maneira.
Bom, limpando o veneno do queixo e voltando ao assunto, geralmente é este meu colega o responsável por fechar o setor. Mas como a farmácia tem duas portas de saída pra rua, a gente tranca uma delas por dentro e sai pela outra. Pra facilitar a vida dele. E foi neste momento que aconteceu a tragédia.
Abri a porta e lá estava ela, enorme com aquelas antenas gigantescas correndo em minha direção. Ainda tive tempo de gritar alertando a Sheron, mas ela optou por sair de qualquer jeito. Tudo bem, saiu dando uns pulinhos, mas teve o atrevimento e a coragem necessários pra tal. Eu? Bem eu fechei a porta e me mantive dentro da sala, sem conseguir parar de gritar. E quando, ao abri-la novamente, após a Sheron me garantir que aquele bicho horrendo havia fugido, me deparei com ele ali, parado em frente à saída e me encarando, novamente gritei, bati a porta pela segunda vez e saí correndo pra dentro da farmácia. Já estava cogitando seriamente a possibilidade de passar a noite ali. Foi só quando eu desisti que o inseto do mal também desistiu e saiu correndo sabe-se lá pra onde. Aí a Sheron entrou novamente e veio me buscar.
Acho que todo este drama é uma clara evidência daquilo que eu sempre digo: as baratas são monstros terríveis que planejam dominar o mundo. E a primeira que elas querem destruir sou eu. Que outra razão teria para que ela permanecesse em frente à porta só enquanto eu tinha esperanças de sair por ali? Fora o mau-caratismo de se fingir de mortas, com a barriga pra cima, patinhas imóveis, só esperando alguém passar do seu lado para pimba!, saltarem e se porem a correr pra cima de sua vítima. MONSTROS DO MAL!
Mas o melhor de tudo isso é que, depois de quase infartar, tu ainda tem que ouvir gozação da tua colega, que após perceber que não havia exagero nenhum nas histórias anteriormente contadas, decide que tu merece ser motivo de chacota. "Quando fica cara a cara com um bandido", dizia ela, "tira de letra, mas é só aparecer uma mísera baratinha pra perder a compostura". Tudo bem, eu tenho um ótimo senso de humor, posso suportar o deboche dos amigos. Mas dói ouvir ela dizendo baratinha. Será que ela não viu o tamanho do bicho? Era gigante, pombas!
P.S. Escolhi uma barata espirituosa como imagem para este post, pois teria princípio de infarto toda vez que entrasse no blog, caso pusesse uma foto real.