quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

(12:40, em um famoso hospital de Porto Alegre... um telefone começa a tocar...)

- Trim, trim, trim...

- Farmácia Industrial, boa tarde?

- Larissa, tu vai ter que me ajudar, tem um paciente do PAD que vai precisar de umas soluções... tu ainda está no teu intervalo de almoço?

- (Suspiro!) Não Jussara, pode falar.

- Tem um paciente do PAD aqui que precisa de uma furosemida e uma espironolactona, e eu não sei se...

- Já estão prontas as soluções que a Silvia tinha pedido. É só mandar alguém vir buscar.

- Mas acho que a furosemida que a Silvia pediu era a 1mg/mL e a que eu preciso é a 10mg/mL...

- Não, Jussara é a 10mg/mL, a 1mg/mL vocês não pedem...

- Pedimos sim, às vezes nós pedimos, eu lembro bem que uma vez...

- Ok, Jussara, mas essa que eu tenho pronta aqui é a 10mg/mL.

- Tem certeza?

- Sim, fui eu que fiz. E estou com o frasco na minha mão agora.

- Ok. Larissa, e a espironolactona, é a 2mg/mL?

- Sim.

- Tem certeza?

- Mais uma vez, Jussara, fui eu que fiz. Portanto, tenho certeza.

- Tá bom, então tu separa pra mim que eu vou mandar alguém ir aí buscar.

- Ok. Tchau.

- Tchau.


(12:55, alguém toca a campainha)

- Oi, Geraldo. Tá aqui, ó... as duas soluções que a Jussara pediu...

- Espera... ela me mandou trazer a prescrição junto e conferir se a concentração está certa.

(Larissa abre a boca em sinal de perplexidade)

- Hum, deixa ver... furosemida 10mg/mL... espironolactona 2mg/mL... tá... tá certo. Tchau.

(Larissa continua perplexa...)

- Peraí, Geraldo?

- Sim.

- Diz para a Jussara que eu agradeço o voto de confiança.


PORRA! SE ELA NÃO ACREDITA NO QUE EU FALO, SE ELA TEM QUE MANDAR ALGUÉM CONFERIR AS INFORMAÇÕES QUE EU PASSO PRA ELA, PRA QUE FICAR DESPERDIÇANDO O MEU TEMPO PRECIOSO COM INTERROGATÓRIO VIA TELEFONE? APAPUTAQUEOPARIU!

domingo, 3 de janeiro de 2010

Esparramam-se os Butiás

Ah, internet, internet, internet...

Podemos ser quem queremos, fazer o que queremos, enganar a quem der vontade...

Ontem recebi um comentário com um link para este blog aqui: A Grande Farsa. Minha primeira reação foi deletar sem clicar, mas a curiosidade não me deixou. Comecei a ler, li tudo que tinha no blog, alguns depoimentos em comunidades, e conclui que havia sido enganada. Principalmente porque o Teoria do Absurdo havia sido deletado.

Hoje, vi que o blog do Teórico havia voltado ao ar com este texto aqui.

Pois é minha gente. Tô que nem aquela imitação do Silvio cantando Sweet Child O' Mine: "Não sei pra onde vai, ou vai pra lá ou vem pra cá, oi"...

Não sei quem, mas alguém está me enganando. E como aprendi com a vida a desconfiar até da minha própria sombra, por hora não acredito mais em nenhum dos dois. Não conheço o Leonardo, assim como não conheço as pessoas envolvidas com o blog A Grande Farsa. Pra mim é perfeitamente possível que qualquer um dos dois esteja mentindo, então ficarei na minha. Em algum momento a verdade tem que aparecer.

Ou não. Ou morreremos na dúvida.

UPDATE: Já sei pra onde vou, agora... ou melhor, já fui! DELETADO!

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

FELIZ 2010!!!

Essa é a época em que a minha vida geralmente vira um caos. O trabalho quadruplica, apesar de todo tempo livre necessário para resolver tudo o que é pessoal. Por isso dei uma desaparecida básica. Mas pelo menos hoje, eu tinha que dar um jeitinho de entrar aqui para desejar a todos um excelente 2010. Eu não sei quanto a vocês, mas eu estou extremamente aliviada com o término de 2009. Esse ano não foi dos melhores pra mim. E como eu acredito que tudo na vida sempre pode piorar, só resta esperar, torcer e desejar com todas as forças, recorrendo aos orixás e tudo mais, que no ano que está por vir as coisas melhorem. Acredito que sim. O astral já está começando a mudar. Lentamente, mas está. Mas só por garantia, vou fazer meus rituais sagrados aqui. Não custa.

Feliz 2010. Aproveitem, façam festa, bebam champanha, mas não abusem tá? Olha a ressaca amanhã. Juízo...

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Conversa de bar.

Eu, apesar de fazer questão de manter o meu, segundo alguns, 'defeito' de ser gremista bem exposto, para o conhecimento de todos, não me ligo muito em futebol. Um dia desses, estava eu com uma turma de mulheres que se reúnem mensalmente para comer, beber e fofocar, quando surgiu na roda um assunto bastante polêmico que estava sendo debatido recentemente: a final do brasileirão, Grêmio X Flamengo, em que a vitória do Grêmio daria o título para o seu não só grande rival como também arquiinimigo, Internacional. Havia sido proposital a derrota ou não? Eu não sei, não vi e, sinceramente, não me interessa. Chegar à alguma conclusão não mudaria minha vida. Mas tínhamos algumas fanáticas presentes, então a discussão se estendeu:

Aninha: Ah, eu já sabia que o resultado ia ser este.

Alessandra: Do que é que tu tá falando, Ana?

Aninha: Que o Grêmio perdeu de propósito.

Alessandra: Ah, ô Ana, eu nunca discuto futebol, mas desta vez vou discutir. Tu viu o jogo? Os caras jogaram muito, até o final.

Juliana: Claro, né Alessandra, era o time reserva. Os caras deram o sangue, mostraram tudo que podiam mostrar.

Aninha: É, e acho que por eles, tinham ganhado aquele jogo. Só não ganharam porque sabiam que iam ser linchados quando chegassem aqui. Quase foram, né?

Helena: Viu, esses são os torcedores do grêmio. São mais anti-Inter do que qualquer outra coisa.

Mariana: Só um pouquinho, o Inter fez a mesma coisa ano passado.

Aninha: Sim, Mari, mas não era final de campeonato. De qualquer maneira, acho que tá certo, é assim que tem que ser, mesmo.

Mariana: Porque, olha, eu vou te dizer uma coisa, eu acho que eu era a única gremista em Porto Alegre que estava torcendo pro Grêmio ganhar.

Alessandra: Eu também.

Aninha: É, mas vocês eram as únicas mesmo... Melissa, tu queria que o Grêmio ganhasse o jogo contra o Flamengo?

Melissa: É óbvio que não.

Aninha: Viu só? É assim que todo mundo pensa.

Melissa: Não, peraí, só um pouquinho. Eu ganhei n partidas em casa, e x fora. Se eu tivesse ganhado mais uma fora de casa eu tava entre os quatro. Eu ia torcer pro Grêmio ganhar justo ali, na final, pra dar o título pro outro? Bem capaz.

Aninha: Pois é, foi isso que eu falei, tu tá certa, eu também faria a mesma coisa.

Melissa: Vocês viram o fulando de tal que não sei quando não jogou nada e lá jogou tudo e mais um pouco?

Juliana: Sim e o ciclano que fez sei eu lá o que e blá blá blá, whiskas sachê, blá blá blá...



Enquanto o assunto girava em torno da polêmica perderam propositalemete? Yes, they did! No, they didn't eu até estava prestando atenção. Silenciosamente, mas estava. Agora, quando a coisa descambou para a análise técnica do jogo e do desempenho dos jogadores, aí comecei a viajar. Até porque eu estava ali sem nada contribuir para o assunto. E não tô acostumada com isso. Tô acostumada a participar ativamente das conversas. Mas naquele momento, eu não tinha nada a oferecer. Então fui desligando meu cérebro aos poucos. Decidi repassar mentalmente as tarefas do dia seguinte. Cantarolei algumas músicas dentro da minha cabeça. Olhava pra cima, olhava pra baixo. Olhava pra mesa. Tomava um gole de água. Depois de um tempo, por pura curiosidade já que eu estava apenas ouvindo algumas das vozes ao meu redor, decidi olhar em volta. Do outro lado da mesa, mais à direita, estava a Júlia. Olhar distante, distraído. Olhava pra cima, olhava pra baixo. Olhava pra mesa. Tomava um gole de cerveja. Então eu olhei bem pra ela e gritei:

- JÚLIA! TU TAMBÉM TÁ VIAJANDO?

Ela sorriu e acenou a cabeça positivamente. As tagarelas ouviram a pergunta, pararam a discussão e desataram a rir.

Júlia: Na verdade eu tava pensando se um homem concordaria com elas, se ele estivesse aqui. Mas acho que sim, as gurias entendem bastante de futebol.

Larissa (eu): É, elas me parecem ter um completo domínio do que estão dizendo. Não sei se entendem ou enganam bem, mas a mim elas convenceram.

Melissa: Ah, é conversa de quem freqüenta estádio.

Larissa (eu): Olha, eu já fui muito em estádio na minha vida, mas nunca falei de futebol com essa propriedade toda.




Todo mundo riu. E então mudou-se de assunto.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Velho Al - O Retorno e Outros Assuntos

Fazia tempo que este velho alemão não dava o arzinho da graça, aqui por este cérebro. Mas o último mico que ele me fez pagar foi imperdoável. Tudo bem, tem um atenuante: o episódio aconteceu ontem, que foi um dia bastante especial. Eu e minha amiga e companheira de tietagem 'tchica del cielo' realizamos um sonho de um ano e meio atrás: conhecer pessoalmente, abraçar, beijar e tirar fotos com o cantor Panta. Então, digamos que eu cheguei em casa um tanto quanto aérea. Olhando a foto abaixo e assistindo ao vídeo lincado vocês entenderão porque.



Mas, qual era o assunto do post, mesmo? Ah, sim, minha mais recente manifestação do velho Al. Estava eu me recolhendo ao leito, quando decidi dar um pulinho na cozinha para pegar um copo d'água (se não tiver um reservadinho ao lado da cabeceira, não consigo dormir. Sou capaz de sonhar que estou desidratando). Foi quando olhei pro chão e vi uns pontinhos vermelhos que me pareceram bem familiares: sangue. A Coca tinha entrado no cio. Fui correndo avisar minha mãe, já que a cachorra dorme na cama dela. Ia ser uma tragédia praqueles lençóis branquinhos. Entrei no quarto cheia da certeza, e com tom de desespero afirmei:

- Mãe, a Coca entrou no cio.

- O quê?!?

O tom daquele o quê?!? é algo difícil de ser explicado. Não era um o quê?!? de não escutei ou não entendi. Também não era um o quê?!? de não estou acreditando. Era um O QUÊ?!? de perplexidade misturada com um pouco de medo. Como quem acaba de encontrar uma nova forma de vida e tem medo de provocá-la*. Naquele momento eu me dei conta de que havia algo de errado, muito errado com a minha informação. Demorou alguns segundos até que caiu a ficha: a Coca não pode entrar no cio.



Nossa querida cachorrinha foi castrada, há poucos meses atrás. Foi um drama tão grande ter que abandonar ela por um dia inteiro na clínca veterinária, para ser cortada. Foi de cortar o coração ter ela de volta toda zonza da anestesia que ainda fazia efeito, confusa com o cone gigante preso envolta de sua cabecinha, e impossibilitada de movimentos bruscos, pela cirurgia recente. E foi um estresse sem tamanho tentar impedir ela de constantemente arrancar os pontos com os dentes. Sim, porque, se vocês pensam que um simples cone gigantesco na cabeça ia impedi-la de cravar seus dentinhos lá embaixo onde estava coçando, estão muito enganados. Não conhecem minha cachorra. Ela é brasileira. Não desiste nunca.

Sim, com tudo isso que passamos há tão pouco tempo atrás eu ainda assim quis culpá-la de um cio que não poderia ser dela. Quem é que estava no cio, então? Epa, epa... alto lá... a única menina que ainda menstrua nessa casa sou eu, e sou limpinha. Na verdade o sangue era do meu irmão, que cortou o dedo do pé e não viu problema nenhum em sair desfilando pela casa descalço. O velho Al adora me fazer pagar esses micos.

Pra finalizar, só quero dividir uma novidade com vocês: minha santamãezinha passou no vestibular!!! Agora sou filha de uma universitária, estudante de psicologia. Não é o máximo? Até mandei fazer uma faixa (contra a vontade dela) pra pendurarmos na sacada. Olha que amor:



Fofa, né? Adorei a borboletinha rosa (veio de brinde, eu nem pedi). Parabéns, mamãe!!!

*Frase do Luis Fernando Veríssimo, retirada da crônica Batalha.

UPDATE: O sangue era da Coca, mesmo. Acho que ela tá com infecção urinária. Tadinha da minha preta...

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Criança Feliz Quebrou o Nariz


Era uma criança agitada, dessas que gritam e correm até enquanto dormem. A mãe nunca se importou muito com as compras das senhoras que a criança acidentalmente derrubava em sua super euforia. Nem com as próprias senhoras, que às vezes eram derrubadas junto com as compras. Achava bonitinho. Falava da criança com tanto orgulho para as amigas, e ria muito quando ela botava sal no café daquela visita hipertensa ou puxava as orelhas do cachorro até quase rasgarem.

Um dia, durante uma de suas famosas corridas com gritos, a criança teve o azar de cruzar o caminho de uma mulher má, muito má. A mulher má deliberadamente estendeu o pé quando a criança passou por ela. Ela tropeçou no pé da mulher má, caiu de boca no chão, quebrou o nariz e todos os dentes. Ups! Noooosssssaaaaaa! Que horroooooooorrrrrr! Mas é má, muito má, essa mulher, heim? Pobre criança!

Ao ouvir o ruído dos gritos ser substituído por um choro escandaloso de dor, a mulher má soltou sua gargalhada perversa: HUA-HUA-HUA-HUA-HUA-HUA-HUA!!! Mas esta mulher é uma bruxa! Achando graça da dor de uma pobre criancinha indefesa.

Tudo isso esta sendo contado como um alerta a todas as mães. Controlem seus filhos. Temam por eles. Nunca se sabe quando alguma dessas mulheres más, que gostam de afogar crianças ou alimentar seus ferozes cães pit bull com elas, aparecerá querendo fazer mal ao seu anjinho.


Como diz a Irmã Selma: cuidar de criança é uma coisa que relaxa a gente.


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Naquele dia...


E então o inesperado aconteceu.

Foi naquele dia em que toda a dor e sofrimento dos meses anteriores culminaram. Dor e sofrimento insignificantes aos olhos alheios, mas tão reais que tornavam respirar uma tarefa árdua e inglória.

Foi naquele dia em que o elefante sentado em seu peito recusou-se a levantar, sufocando-a. Quando as lágrimas mais densas escorreram dolorosamente pelo seu rosto, molhando-lhe a blusa e deixando-lhe os olhos inchados.

Foi naquele dia em que todos os sonhos pareceram se dissipar, como uma nuvem de fumaça que depois de um tempo desaparece no ar. Toda a esperança morreu, naquele dia.

Com as pernas fracas, os olhos já secos, o corpo cansado de segurar este peso, toneladas demais para tamanha fraqueza, ela percorria as ruas olhando para todos os lados, mas sem nada enxergar.

E então o inesperado aconteceu.

Uma garoa fina surgiu, mal dava pra senti-la, e foi aumentando de intensidade até se transformar em uma chuva torrencial. Ela não correu. Parou em meio à calçada, deixando-se encharcar. Sentiu cada gota que molhava seu corpo, escorregava por seus cabelos e lhe escorria no rosto. O gosto tão diferente das gotas anteriores que lhe tomaram a face, lágrimas salgadas e amargas. Essas não. Essas eram doces e suaves.

De repente o corpo fez-se leve, como se pudesse voar a qualquer momento. Um raio de sol surgiu em meio às nuvens negras, fazendo brilhar os pingos de chuva e tornando mais coloridas as flores e as copas das árvores. Ela então sorriu, fechou os olhos e abriu os braços. E sentiu-se livre, pela primeira vez em muito tempo.

O inesperado aconteceu. Ela soube então que tudo estava bem, afinal. Tudo sempre ficaria bem.